“Veja como bloquear o Gettr”: vazam conversas no TSE sobre rede de ex-assessor de Trump

Segundo reportagem exclusiva da Revista Oeste, assinada por Eldilson Salgueiro, Rachel Diaz e Carlo Cauti, a rede social Gettr, plataforma criada por Jason Miller — ex-assessor de Donald Trump — já estava sob monitoramento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde agosto de 2022. O acompanhamento era realizado por meio de relatórios semanais elaborados pelo instituto parceiro Democracia em Xeque, cujo objetivo inicial era mapear temas e atores emergentes na rede.

Na primeira referência encontrada em 30 de agosto de 2022, o assessor Beto Vasques destacou que, embora o volume de publicações na plataforma ainda fosse pequeno, já funcionava como uma “bússola para a identificação de temas e atores” .

Meses depois, no dia 3 de outubro de 2022, após o primeiro turno das eleições, trocas de mensagens entre auxiliares indicam que o então juiz Airton Vieira – assessor judicial de Alexandre de Moraes no STF – solicitou, via mensagem a Eduardo Tagliaferro (chefe da Unidade Especial de Combate à Desinformação do TSE), que se estudasse como bloquear a Gettr no Brasil.

Vieira chegou a confundir uma postagem no X com conteúdo da Gettr, mas ainda assim manteve a solicitação. Tagliaferro respondeu com uma observação: “Nele, tem muita gente se escondendo porque não há [sic] impunidade” .

A ideia de suspender a plataforma era tratada como um paralelo à atuação contra o Telegram em março de 2022, quando Moraes determinou sua suspensão nacional sob alegação de descumprimento de decisões judiciais — medida que foi revogada em dois dias após a plataforma atender às exigências.

O monitoramento e a iniciativa de bloquear uma rede social como a Gettr — especialmente uma plataforma associada à direita internacional e à liberdade de expressão — refletem uma postura cada vez mais proativa, se não preventiva, por parte do TSE sob influência de Alexandre de Moraes. Não é mera contenção de desinformação, mas uma tentativa de cercear discursos antes mesmo do debate público acontecer.

Precedentes perigosos e uso seletivo do poder

O precedente com o Telegram mostra que o TSE, sob Moraes, agiu de forma rápida para suspender plataformas, independentemente de precedentes claros de ilegalidade. Reproduzir esse modelo para a Gettr — sem mesmo um motivo jurídico robusto — reforça uma crítica legítima: abusa-se do mecanismo e da estrutura do Estado para silenciar vozes incomodas.

Impacto simbólico elevado

O fato de que a Gettr — rede criada para ser alternativa ao “cancelamento” e às práticas de grandes plataformas — tenha sido alvo de tentar bloqueio judicial é profundamente simbólico. Chama atenção para o alcance da censura institucional, ultrapassando fronteiras e mirando entidades que se posicionam explicitamente contra o que percebem como intimidação ideológica.

Fim da neutralidade democrática

Observamos aqui um movimento que foge à função típica de um tribunal eleitoral: garantia da lisura eleitoral e combate à desinformação. Ao expandir seu controle a plataformas auditivamente alinhadas à oposição, o gabinete de Moraes parece assumir um papel de controle ideológico, destoando da neutralidade que se espera de cortes democráticas. (Do Ver-o-fato, com informações exclusiva da Revista Oeste)

AS CONVERSAS ENTRE OS ASSESSORES DE MORAES

(Do Ver-o-fato, com informações exclusiva da Revista Oeste)

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